China e Rssia estabelecem parceria

E mandam recado a pases que tentam controlar o mundo

PEQUIM - Os presidentes da China, Jiang Zemin, e da Rssia, Boris Yeltsin, anunciaram ontem em Pequim uma parceria estratgica, definida por Yeltsin como um "modelo de relaes para outros pases". Num comunicado conjunto, os chefes de Estado alertaram contra naes que tentam dominar o mundo ps-Guerra Fria, recado claro aos Estados Unidos e seus aliados da Organizao do Tratado do Atlntico Norte (Otan, aliana militar ocidental). Os chanceleres dos dois pases frisaram, no entanto, que a nova parceria no  uma aliana destinada a fazer frente a outras potncias.

Alm do comunicado conjunto, Yeltsin e Jiang assinaram 13 acordos. Entre eles, um de cooperao para desenvolvimento de tecnologia militar e maior intercmbio entre suas Foras Armadas. Tambm estabeleceram uma linha direta de telefone ligando os dois gabinetes. Os dois presidentes disseram ainda que pretendem assinar um tratado para retirar seus soldados da fronteira comum.

Yeltsin disse  imprensa que a China vai aderir s conversaes do G-7 (grupo dos sete pases mais ricos) e Rssia sobre o banimento de testes nucleares. Mas de acordo com um porta-voz do governo chins, a histria no  bem assim. "Acho que  preciso haver mais estudos e discusses", disse o porta-voz Shen Guofang. A China insiste na permisso de se realizar exploses nucleares pacficas depois da assinatura do tratado.

Hegemonia - A parceria entre China e Rssia foi estabelecida um dia depois da divulgao, em Londres, do relatrio anual do Instituto Internacional de Estudos Estratgico (IIEE). O relatrio destaca a volta da diplomacia da fora, usada principalmente pelos Estados Unidos, potncia hegemnica no mundo depois do colapso do comunismo. (Apesar de apontar tambm, como exemplo desta diplomacia, as manobras militares da China no Estreito de Formosa.)

Presses - No comunicado, Jiang e Yeltsin dizem que "hegemonia, poderes polticos e repetida imposio de presses sobre outros pases continuam a ocorrer. A poltica de blocos tomou espao de outras manifestaes". Em resposta, a China diz considerar a campanha militar russa na Chechnia um assunto interno; a Rssia assume a mesma posio em relao a Formosa e ao Tibete.

A questo da expanso da Otan para os pases da Europa Central e do Leste, a que Yeltsin se ope, tambm foi tratada pelos dois chefes de Estado. "No que diz respeito  ampliao da Otan, o presidente Jiang Zemin decididamente compartilha da opinio da Rssia de que a expanso da Otan em direo s suas fronteiras  inadmissvel", disse Yeltsin.

Para diplomatas, o acordo marca o pice dos laos entre Pequim e Moscou desde que a aliana sino-sovitica desmoronou nos anos 60, em meio  rivalidade pela supremacia do mundo comunista e a conflitos de fronteira. "Queremos que as relaes entre Rssia e China amaduream de modo que possam resistir a qualquer reviravolta", disse Yeltsin. "As relaes de amizade sino-russas entraram numa nova era", confirmou Jiang.

Yeltsin, que termina hoje a visita de trs dias  China, no perdeu a oportunidade de alfinetar seus adversrios comunistas. Sem nenhum constrangimento, o presidente russo disse para uma platia formada pela elite comunista chinesa que uma vitria comunista nas eleies de junho na Rssia seria uma tragdia para o pas.

